9
de
fevereiro
NADADORES DO BRASIL NO PAN SABIAM DO “CASO JOANNA”

Por Luciano Borges
A Confederação Brasileira de Desportes Aquáticos afirmou –através da assessoria de imprensa – que desconhecia o “Caso Joanna Maranhão”. Mas a história envolvendo a nadadora pernambucana, revelada no site A Gazeta Esportiva, na última quinta-feira, era conhecido dos atletas da natação que disputaram os Jogos Panamericanos Rio 2007.
Durante uma reunião com todos os nadadores que participavam do evento –organizada pelos treinadores para que o grupo se abrisse e se unisse mais – Joanna revelou ter sofrido abuso sexual quando tinha 9 anos e treinava no Náutico, em Recife. O desabafo pegou todo mundo de surpresa e emocionou vários colegas de Joanna.
A revelação foi resultado dos anos de análise que fez com um psicólogo. Joanna contou que passou 10 anos negando o fato para si mesma, mas quando não conseguiu mais lidar com o assunto, procurou ajuda. Com isso, melhorou inclusive seu desempenho nas piscinas.
Ontem, o blog Dinastia Olímpica – do jornalista Júlio Frascino – contou esta história e ainda conversou com Joanna, que tinha acabado de saber da morte de um tio em Pernambuco.
A nadadora, que tenta índice para a Olimpíada de Pequim nas provas de 200 e 400 mts nado medley, estava chorando. Deve voltar ao Brasil ainda neste sábado para o enterro.
Leia a seguir, a íntegra do artigo:
SEM MOTIVOS PARA SORRIR
Para a surpresa do repórter, Joanna Maranhão atende o celular pessoal (com DDD do Recife) na França:
- Por favor, a Joanna?
- É ela, pode falar!
A conversa é rápida, não demora mais que cinco minutos. Joanna está agitada, mas não se importa em falar sobre o abuso sexual que sofreu na infância. Ela acha que os jornalistas pegaram só a parte que ela tinha sido molestada e daí fizeram uma outra notícia, mais sensacionalista. Não era o que Joanna esperava. "Queria mostrar como um exemplo positivo, que superei isso, e não para justificar os maus resultados dos últimos tempos", explica a pernambucana, de 20 anos, ainda sem índice para os Jogos Olímpicos de Pequim. Para Joanna, o assunto já foi superado. "Não vou falar quem foi, nada. Não vou ficar remoendo."
Na verdade, a revelação de Joanna, levada a público ontem, já era do conhecimento dos nadadores da seleção brasileira desde julho de 2007. Numa reunião entre atletas e comissão técnica, durante os Jogos Pan-Americanos, Joanna pediu a palavra e contou a história, sem rodeios.
Fim da ligação! Já é noite na França, e Joanna continua com o celular ligado para saber notícias sobre o estado de saúde do tio materno, Sérgio, internado num hospital de Recife. Ele faleceu após complicações numa cirurgia no coração. Joanna está inconsolável e volta para o Brasil na segunda-feira.

